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as palavras que dão livros

Depois do Hygge e do Lagom temos agora o Sisu. Esta moda de tornar uma palavra sem tradução a protagonista de um livro começa a fazer-me pensar do que é que as pessoas andam realmente à procura: de um novo estilo de vida? Da receita para a felicidade? De uma justificação ou de uma palavra para o que estão a sentir?

 

Que a Hygge nos aponte para caminhos mais tranquilos e relaxantes; que a Lagom nos ofereça maior realização e equilíbrio; agora que a Sisu nos dê a fórmula para a felicidade... uma palavra que até tem tanto sentimento de peso nos ombros, de caminhos sofridos e de constante luta... façam-me o favor. Parem de nos entupir de fórmulas para ser feliz, algo tão pessoal e intransmissível nunca terá fórmula nem receita, não responderá nunca a um exercício mental de matemática, literatura ou geografia. Os Finlandeses são felizes com o Sisu porque não sabem o que é viver numa praia Portuguesa onde o azul-turquesa do céu se funde no azul profundo do mar, onde as ondas cantam no Verão e no Inverno, onde o sol brilha um bocadinho que seja em todos os meses do ano, onde se bebe uma bica depois de um bitoque regado com o melhor vinho, onde os Santos dão marteladas, onde se assa sardinhas na rua, se corre atrás do cheiro a pão com chouriço, se vira a noite nas conversas que nunca acabam, onde a vida passa na mesma rua que a morte já passou e onde a Saudade é a nossa felicidade. 

A Saudade, essa palavra sem tradução, a protagonista certa para um desses livros da moda, não pertencesse ela a um país que vê tristeza na saudade em vez de ver memórias boas, sorrisos honestos, pessoas amadas, enfim, o resultado da felicidade... ♥

[...sê simplesmente feliz... ao som desta música]

 

 

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