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inevitável

Tinha prometido a mim mesma hoje não falar do 25 de Abril de 1974 e vou cumprir, vou antes falar de liberdade, que tal vai a vossa? Bem, se estão aqui, a ler as parvoíces que eu escrevo, calculo que esteja melhor que há 44 anos. Mas imaginemos que o 25 de Abril era apenas um dia como outro qualquer em Portugal. Que estás tu a fazer aí parada que não vais trabalhar? Há pois... o marido já foi mas tu não podes, és mulher, quem fica a lavar panelas em casa? Vá amocha lá com os costados na banca, quais dores nas costas, quais mamilos doridos de dar de mamar ao oitavo filho acabadinho de nascer. Ainda tens de lavar os lençóis cobertos de sangue de o parires, logo sangue, uma nódoa tão difícil de desaparecer, valha-nos o sol que (ainda) quando nasce é para todos. Felizmente não tens de pensar no jantar, sopa de côdeas, é a vantagem de não teres mais nada, assim não tens de escolher ou sequer pensar nisso... ai se os pensamentos tivessem voz própria já tinhas a PIDE a bater-te à porta, cuidado que as paredes têm ouvidos.

Eu, emigrada ou expatriada (como queiras), estaria agora feliz da vida usufruindo da minha liberdade de opinião escrevendo e usando a internet a meu belo prazer, assinando abaixo assinados para melhorar os direitos das mulheres portuguesas tal como o faço com as da Arábia Saudita, Iraque, Índia, Mali, etc. Podias sempre me vir visitar, ah espera! só se o teu marido deixar, espero que tenhas escolhido um marido que goste de pensar, goste de ser ouvido, compreendido, cheio de personalidade e inconformismo. Olha, azar o teu, vais ter de o aturar o resto dos teus míseros dias... com sorte tens uma vida breve com mais sorte ainda acordas um dia e descobres que um bando de gajos com tomates tomaram também as tuas dores e resolveram lutar pela liberdade, a deles, a tua, a do povo, o mesmo povo que hoje escreve no facebook que na ditadura é que se estava bem... caso para perguntar... "onde andavam eles antes do 25 de Abril de 1974". Porra!... lá falei do 25 de Abril, inevitável ♥

 

[hora de ligar o rádio]

rodapé:
há mulheres que agradeceriam uma revolução

eu, mulher portuguesa, agradeço a revolução

 

 

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