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a culpa é das baladas

Vou caminhando pela vida afastando-me do futuro, redescobrindo o passado e lutando arduamente para voltar a fazer como antigamente, porque no fim destas décadas de "evolução" frenética descobre-se que tudo está errado. Razão tinham as nossas avós quando se sentavam no sofá com o alguidar de favas ao colo e ali passavam parte da tarde a descascar aquele que seria o acompanhamento para o jantar. Na casa ficava o cheiro a terra, na cozinha pairava o cheiro dos enchidos e no prato caía a refeição que tinha demorado uma tarde a preparar. 

A "evolução" trouxe a pressa e não adianta dizer "come devagar"... já nada se faz devagar.

 

Mentes iluminadas chegam à conclusão que estamos afinal a fazer tudo errado e que é melhor recapitular. Tenta-se descobrir o milagre da boa vontade, boa vontade em querer ser melhor em todas as áreas da vida, a mesma boa vontade que temos em aceitar que a sociedade mande na nossa vida, a manipule a seu belo prazer, fazendo-nos sentir como meras cobaias de um sistema que simplesmente não sabe o que faz. Quando, afinal, tudo se resolveria naturalmente se cada um fizesse à sua maneira, encontrasse o seu equilíbrio e vivesse honestamente feliz.

 

A vida já não passa devagar, os morangos já não nascem só no Verão, as crianças já não brincam nas férias, os livros já não não são lidos (são ouvidos) e a conclusão a que chego é que a culpa é das baladas, que já não nos fazem amar lentamente.

Assumo este compromisso de ir lutando por um viver devagar, aquele que se foi perdendo com o passar dos dias, dos meses, dos anos, aquele que nos deixa contemplar o mar, o mesmo que gentilmente nos dá tempo para abraçarmos as nossas crianças e sermos livremente felizes...♥

[...a dançar ao som desta balada]

 

 

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