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diário da vida [página 1]

Abro a porta aos dias cinzentos, são tantos que já não os estranho. Chego a pensar se é o céu que não muda de cor ou se sou eu. Abatece-se o mundo em mim, tenho dó do meu reflexo, tenho pena da pena que carrego dentro, de tudo o que me acontece e daquilo que não me acontece também. Começo por me queixar da falta de calor, da chuva interminável, depois queixo-me do trabalho, em seguida queixo-me das pessoas, por fim queixo-me de mim... de facto é difícil me aturar e essa é, sim, a queixa mais nobre e honesta que tenho.

 

A vida... essa madrasta que me iludiu. Prometeu-me o céu mas não me deu asas para sair deste buraco. Como é cruel a escuridão dos mortais caminhando mortos no dia a dia de uma rotina parva, de uma sociedade mecânica, caindo nas garras de amores vazios, trocando sorrisos vagos que escondem olhos nublados de sofrimento e dor.

 

Vejo uma rosa, talvez a forma de vida mais viva que já vi nos últimos tempos. Reconheço-a de um livro... não me lembro do título. Tento agarra-la mas não lhe consigo chegar. É de um vermelho vivo, mais vivo do que o sangue que me corre nas veias. Talvez tudo aconteça por uma razão, se lhe conseguisse chegar traria-a para este buraco sem luz, onde por certo morreria, como eu de certa forma morri. Mas... se tudo acontece por uma razão... que razão me leva a ficar nesta escuridão quando há tantas outras de que me lembro que me podem motivar a sair dela?

 

Foi então que me nasceram asas e eu cheirei a rosa vermelha e vi que o céu afinal estava azul. 

 

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